*No Dia Seguinte, Na Piscina*
- Sei lá, o Dam nunca foi de piscina e essas coisa, deve ser por isso, né?
- Hum, sei. Mas quem me assustou foi a Lê. Marcou com a gente e nem veio. O que ela tem?
- Ai, adoraria descobrir, só disse que ia ficar na praia o dia inteiro e... - não prestei mais atenção.
Era só o que eu precisava ouvir. Sabia que a Letícia não iria para piscina com dúvidas de que eu fosse também, mas o mais importante para mim, era saber onde ela estava. E eu descobri.
Esqueci completamente de que a piscina e a praia ficão um pouco longe, mas no final, acabei indo correndo.
"É agora ou nunca!" pensava.
"Burra, burra, burra! Por que você foi fazer isso, Letícia?! Agora não tem mais volta, perdeu todas as chances! Não acredito, porque eu não pensei antes, porque eu agi tão rápido?!" - pensava
- Ele não deve nem querer me ver pintada de ouro... - pensou, só que alto.
- E porque não? - eu tinha chegado. Cara, eu nunca corri tanto na minha vida como hoje.
- Mas quem...? - ela se virou e percebeu quem era.
- Damion, o que você tá fazendo aqui? E como sabia que eu estaria aqui? E... - meu Deus, ela não parava de falar, então tive que atropelá-la.
- Só me segue, por favor.
Achei um táxi e dei as instruções, antes que ela entrasse. Ficamos calado o caminho inteiro, e eu já estava começando a ficar nervoso.
O táxi parou no fim da estrada. Paguei e desci rápido, Letícia estava atrás de mim.
- Me segue! - gritei enquanto corria.
- Mas Damion, eu... - ela tentava falar e correr. No final, preferiu só correr.
- Chegamos. - disse mirando um campo. Lagos, árvores, flores, um bosque muito bonito.
- Olha Damion, se você me trouxe aqui só pra me xingar ou me zoar, eu preferia que fosse por telefone mesmo e... - atropelei-a de novo.
- Não vim fazer nada disso.
- Então veio fazer o que?
- À quanto tempo? - perguntei.
- "Á quanto tempo" o que, Damion? - ela se fazia de desentendida.
- Você sabe Letícia, não torne isso mais difícil. - seu semblante era de tristeza, estava prestes a chorar quando começou a falar.
- Mais do que você pensa. Eu sempre te achei um chatinho grudento e infantil, mas de uma hora pra outra, você ganhou a fama de "garoto-de-gelo". Eu tentava resistir, mas não conseguia. Não só eu, muitas meninas da escola. Você se tornou a maior cobiça das garotas e a maior inveja dos garotos, mas eu não ligava pra isso. Eu gostava de você, Damion, porque você era assim mesmo, não precisava provar pra ninguém ou ser famoso na escola. Cada vez que você me cumprimentava, eu tremia por dentro e por fora. Tinha a maior inveja da Lari porque ela era a mais próxima de você na escola...
Ela parou de falar para respirar.
- Você deve estar me achando uma louca agora. Uma completa retardada! Falando que eu estou apaixonada por você e tal, acho até que você está gostando de saber que é famoso na escola e cobiçado. Quando eu te confessei, eu dizia a verdade. Gosto de você pelo o que você é, não pelo o que você mostra, sempre tive vergonha de te falar e agora eu estou contando tudo como se fosse a coisa mais natural do mun... - eu à ouvi pacientemente, até que atingi meu limite.
Eu a abracei e a aproximei do meu rosto até que nossos lábios estivessem colados. Confesso que fiquei nervoso, pois fazia muito tempo que eu não beijava alguém ou demonstrava esse tipo de carinho. Nos beijamos por alguns segundos que mais pareceram horas, e depois de muito esforço, consegui nos separar.
- Da... - antes dela terminar, eu a abracei.
- Não tenha vergonha de me contar qualquer coisa, por mais embaraçosa que seja. Se tudo o que você falou ontem é verdade, então só preciso me preocupar em manter os pés firmes no chão pra conseguir te olhar sem babar.
Ela afagou meu cabelo e riu. Mas não porque a situação estava engraçada, e sim, pois ela estava feliz. Pude sentir sua respiração forte e seu batimento acelerado.
- Você não sabe no que acabou de se meter, bobo.
- Não ligo, se você for o prêmio, passo por qualquer desafio.
- Tá, para de falar isso antes que eu desmaie!
- Se você desmaiar, eu vou ser obrigado a te carregar até a sua casa.
Ela riu de novo, e derrubou algumas lágrimas que escorreram pela minha nuca.
- Você sabe que todos vão comentar, não sabe?
- Sei, mas espera só um engraçadinho falar mal de você... Provavelmente eu quero a cara do primeiro desgraçado!
Sentei na grama em frente ao lago e Letícia se apoiou no meu peito. Não sabia o que nós estávamos olhando, e isso era ótimo. À muitos anos eu não me sinto assim...como posso dizer... "querido". Tendo alguém que se importe comigo ou que eu possa dividir meus momentos é ótimo.
- Damion...
- Oi. - ainda estava "viajando".
- Você é do tipo que gosta de estar comprometido ou que queira algo mais liberal? - Que pergunta direta...
- Depende da pessoa que eu for me comprometer. - sim, eu disse isso só para irritá-la.
- Ah... sei.
- Ah, eu não posso te culpar por pensar tão devagar, você é loira. - Não tenho preconceitos, mas a Larissa disse que a Letícia odeia que zoem com o cabelo dela.
- Você está brincando, né?
- Óbvio, menina. Você acha que eu gostaria de um tapa na cara?
- Não sei, mas posso resolver isso rapidinho. - e riu.
- Não, obrigado, prefiro como está mesmo.
- E como está? - ela tinha voltado o assunto.
Me levantei e a puxei junto. Estava escurecendo e suas mãos estavam geladas, então fiquei segurando.
- Não sabia se você era do tipo que gostava de demorar para assumir alguma coisa ou do tipo que gostava de tudo na medida do possível.
- Não! Não é isso é que...
- É que o senhor é um dos mais disputados da escola, sabe? Então vai vir um monte de meninas querendo te seduzir, e eu gostaria de saber onde eu estaria nessa situação.
- Você, Barbie, seria a menina que me puxaria do meio das outras, brava, pisando o pé forte e bufando.
- Então eu seria ciumenta??
- Talvez sim, talvez não...
- Vamos fazer o seguinte : Eu acabo de pedir você em namoro e vamos comemorar, onde seria?
- Em um restaurante, jantando.
- Então é nossa próxima ida. Lá eu te ensino como você pode ficar ciumenta e fofa ao mesmo tempo, ok?
- E eu te ensino à ser menos irresistível, dai atrairia menos a atenção das garotas.
Nem respondi. Nos beijamos e combinamos de passar no shopping pra comprar roupas, já que ela não queria me apresentar ao seus pais ainda.
*Na Praça*
- Aliens! Eles foram abduzidos, só pode! Sumiram de vez.- Não fala besteira, amor. O Damion tem os problemas dele e a Lê estava bem estranha hoje, amanhã falamos com eles.
- Falando em amanhã, eu preciso ir. Já tá de noite e meus pais me matam se eu voltar mais tarde que isso. Vão achar que eu tô fazendo farra!
- Tudo bem amiga, "bye-bye"!
- Tchau Lá! Er, até Caio.
- É...
- Nunca entendi porque você e a Sam não se dão bem, amor?
- Ah, esquece, outro dia te explico, mas agora...
- Agora o que?
- Que tal começarmos a nossa farra?
Enquanto Caio e Larissa não tinham vergonha na praça...
Eu e a Letícia já estávamos no restaurante. Ela deve ser o tipo de menina que gosta de coisas de "glamour" e chiques.
Não tinha a menor vergonha de beijá-la em público. Não devia explicações à ninguém...
Mas já a Letícia, ficava muito constrangida com olhares de outras pessoas passando. Enquanto eu estava de bem com a vida, nunca poderia imaginar o que o desgraçado do Caio me aprontava...
O que começou na praça, continuou na sala da minha casa e evoluiu até o quarto dos meus avós...
E terminou na cama. Péssima hora eu tinha escolhido pra fazer faxina, simplesmente péssima. Por sorte, não peguei no flagra, já estavam dormindo...
Mas eu não podia acreditar que o Caio tinha feito isso. Na MINHA casa! Na cama dos MEUS AVÓS! Com a LARISSA! E com OUTRA menina! DUAS VEZES ele fez isso! DUAS! Mas já está decidido. Ou ele sai daqui por bem, ou sai numa cadeira de rodas. Difícil vai ser aguentar as fofocas na escola, afinal, as coisas voam. Minha felicidade parece que tem um prazo de validade. E está se esgotando.


































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