domingo, 20 de novembro de 2011

Sétimo Capítulo : Matando Um Morto?

  - CARA! TIO DENIS É VOCÊ MESMO?! Não acredito, eu sô sonhando, tio Denis eu senti muisa falta sua! Papa e Mama também! Onde você tava? Você tá bem? Que olhos são esses? Vamos voltar pra casa, tio Denis!
 - Damion...
 - Mike, é o tio Denis! Eu não tô acreditando, é ele mesmo! É um milagre! Que óti...
 - Mil perdões mas eu não conheço esse tal de "tio Denis". Queiram me acompanhar, a princesa está à espera dos senhores e senhora.

 Como assim? Esse é o tio Denis que eu conheço. Ele pode estar um pouco mal mas é ele mesmo. Não entendo porque ele tá agindo dessa maneira. O "mordomo" se virou e seguiu em direção das escadas.

 Saímos do templo e fomos em direção à uma trilha. Devia ser a tal "trilha" que Mike tanto falava. Seguimos o "mordomo" pelo caminho inteiro, sem pronunciar uma única palavra até chegarmos no topo.

 Devo dizer que era um caminho MUITO longo. Já estávamos cansado por termos vasculhado o templo inteiro e agora estávamos subindo um monte. Letícia estava praticamente morta mas ainda conseguia subir e em raros momentos em que alguém falava, eu me oferecia para levá-la. Ela não aceitou em nenhuma vez.

  - Eu os trouxe como pediu, princesa.
 - Ótimo. Você nunca me decepciona.
 - PAI?! MÃE?! - disse assustado.
 - Mas oque exatamente está acontecendo aqui?! - Mike perguntou por todos.

  - Ai, ai. Mike Stuart, certo? Bem danadinho você ter saído de sua cela sem minha permissão. Você tem ideia de quanto trabalho deu eu me controlar para deixá-lo vivo?

  - TRINA MARVELLO?! MAS ERA PRA VOCÊ ESTAR MORTA! SE PASSARAM 150 ANOS!
 - Ei, nunca coloque a idade de uma dama na frente dela! É falta de educação!
Ouve um breve momento de silêncio. Percebia que meus pais não faziam nada além de babar e ficar em pé. Manchas de sangue, cicatrizes, olhos brancos... Tudo isso me assustava.

  - Antes de mais nada, eu vou explicar para vocês o que acontece. Como o loiro aí já disse, meu nome é Trina Marvello. Eu nunca desapareci ou sumi, simplesmente fugi de casa. Se vocês estivessem no meu lugar, teriam feito a mesma coisa.

  - Nunca fui amada por aqueles que se denominavam "meus pais". Não passava de nada além de um objeto, ou melhor, a herdeira do trono Marvello. Obviamente não existiam herdeiras, só herdeiros. Nisso, meus pais me obrigaram a casar com um homem mais velho, que eu não conhecia.

  - No dia do meu casamento, eu consegui fugir. Vim direto para o templo e me escondi. Quando notaram a minha falta, ofereceram barras de ouro de tamanhos de elefantes para quem me encontrasse. Durante dias eu fiquei sem comer, beber ou dormir, com medo de que alguém me achasse.

  - Não contarei detalhes mas digamos que eu fiz um "trato" com alguém especial. Eu o obedeceria e ele faria com que todos que entrassem no templo de noite sumissem. Óbvio que quando este homem ao meu lado veio, eu percebi que o único motivo dele ter ido era a preocupação que tinha comigo, então transformei-o no meu mordomo particular, mas o loiro ai eu pretendia matar.

  - Mas como a princesa tem um bom coração, me pediu para que o deixasse vivo. - o "mordomo" falava.
 - Esses outros ai do lado vieram à procura do meu mordomo, então fiz com que eles se tornassem meus guardas-costas.

  - Viver aqui me fez perceber que minha antiga vida era inútil. A princesa me fez perceber que eu poderia servi-lá para sempre e continuaria feliz.

  - Então é isso. Agora faremos um trato : Pouparei suas medíocres vidas e vocês irão embora agora, sem comentar o que aconteceu com ninguém.
 - Pai! Mãe! Sou eu, o Damion!
 - Ai, ai. Eles não o escutam, menino. Se você não percebeu, os três já estão mortos, se movendo com o poder do "alguém especial".

  - Portanto, eu ordeno que vocês se retirem. Caso o contrário irão se arrepender...
 - Não!

 Foi simplesmente a pior ideia de que já tive na minha vida. Corri em direção às escadas para alcançar os outros. Nem sei o que faria só sei que meu corpo me movia contra minha vontade.

  - Pai! Mãe! Tio Denis! Por favor, se lembrem! Sou eu, o Damion! Vocês precisam acordar!
 - Chega! - a voz da "princesa" tinha mudado. Estava grossa e demoníaca. - Tirem esse verme da minha frente! Agora!

 Antes que eu pudesse perceber, os três me golpearam e eu caí em direção às escadas. Até tentei me equilibrar mas foi em vão. A força era tanta que voei escada à baixo.

  - DAMION! - Letícia gritou desesperada quando ouviu o barulho da minha cabeça batendo contra a madeira da escada. Se ajoelhou perto de mim e gritou para Mike ajudar. Ele veio rápido e fitou Trina.

 - Eu avisei...
 - Espera! - disse enquanto me levantava dificilmente. - Vamos fazer um trato!
 - Damion, do que você tá falando?! - Letícia estava desesperada de novo.

  - Hum... Estou ouvindo.
Me ajoelhei na sua frente para demonstrar respeito, ou pelo menos, fingir.
 - Me substitua pela minha família. Reviva ela e me torne seu escravo.


  - Hum... Isso acaba de ficar interessante...
 - E então, o que me diz?
Antes que Trina pudesse responder, Letícia me empurrou e começou a gritar comigo.

  - Você ficou louco?! Só pode estar brincando! Você percebeu o que acabou de falar?!
 - Barbie, é o único jeito de eu salvar todos!
 - Não, não é! Tem que ter outro jeito! Eu não vou deixar você fazer uma loucura dessas! Não, não, não, nem em sonhos!

  - Letícia! Eu tô dizendo que é o único jeito! Me desculpa mas é verdade!
 - Não e não! Pará de falar agora!
 - Fica calma por favor!
 - Não vou ficar calma! E se ela aceitar, o que acontece?! Você vira escravo dela pra sempre! Pára de pensar só em você! Por favor, pensa em mim também!

  - MUAHAHAHAHAHA! Por mais que esteja adorando isso, já tomei minha decisão!
 - E qual é?

  - Eu aceito! Um jovem é muito mais fácil de se treinar! E como parte do trato, eu irei reviver esses inúteis atrás de mim!
 - Não, espera... - Letícia estava pronta para dizer alguma coisa mas eu a interrompi.
 - Isso, espere! Antes, eu preciso que você apague a mente deles!
 - Feito!

 Eu deveria ter imaginado o "alguém especial" que fez o trato com ela. Seus cabelos começaram a escureçer e seus olhos se tornaram negros como a escuridão. Até mesmo seu vestido havia perdido as cores. Duas protuberâncias começaram a aparecer em lados opostos de sua cabeça, se tornando chifres e com apenas um estalo, um cajado aparecia em sua mão. Para completar, ela tinha uma cauda.

  - Muito bem palermas, ajoelhem-se! - eles obedeceram na mesma hora.
Frases estranhas eram ditas, parecia serem em latim ou grego, não sei. Os olhos da minha família começavam a criar cores, seus machucados desapareciam e suas olheiras já não existiam mais.

  - Prontinho! Como cortesia, além de apagar-lhe as memórias, fiz com que eles desmaiassem em sono profundo. Acordarão dentro de um dia, não se preocupe...

  - Agora vamos! Falta a sua parte do trato! Está amanhecendo e logo virão mas idiotas me procurar!
 - Damion, você não pode fazer isso, por favor! - as palavras que saiam da boca da Letícia eram dificilmente pronunciadas. Ela estava chorando tão fortemente que por um momento eu até repensei no que tinha feito, mas não voltei atrás.

 Antes que ela continuasse a falar, dei-lhe um beijo e ela entendeu que era um adeus. Tremendo e me segurando com força, parecia com a Letícia de antes, que ainda não me namorava. Com muita força eu consegui fazer com que ela se soltasse mas ela ainda soluçava de tanto chorar. Mike segurou-a antes que ela tentasse alguma coisa.

  - Princesa, - eu já tinha entrado no jogo. - não seria melhor apagar as memórias dos outros também. Eles poderão espalhar a história e tenho certeza de que não é seu desejo.
 - Verdade... Bem pensado! Farei o mesmo que fiz com os outros!

 O quão rápido Letícia e Mike caíram no chão eu não sei, mas tenho certeza de que os segundos que eu fiquei olhando-os, foram os mais dolorosos de minha vida. Trina desceu as escadas e foi em minha direção.

  - Bom, vamos porque alguns idiotas já estão chegando. Como parte do trato você irá me obedecer pro resto de sua vida, mas não se preocupe... Eu faço ela ser bem longa, viu? MUAHAHAHAHAHA!
 - Antes, eu preciso fazer uma coisa...
 - E o que seria?

  - Isso.
Tirei a pistola do meu bolso e mirei na criatura. Eu estava tremendo um pouco mas já sabia o que iria fazer para acabar com isso de uma vez por todas.

  - Ah... E você acha que isso vai me matar? Que essa coisinha ridícula ai vai resolver todos os problemas?
 - Não sei se vai resolver todos, mas os meus vai.

...
A escuridão tomou conta da minha visão. Onde eu estava? Porque não conseguia me mexer? Ah sim. Eu não atirei na criatura, e sim, em mim mesmo. Estou morto provavelmente... Mas como eu continuo pensando? Eu não estou morto? A bala não foi direto pro meu cérebro? Hã? Alguma coisa está me mexendo e empurrando...
 - ...mion! Damion! Damion! - eu conheço essa voz... Hã? Letícia?
 - DAMION!

  - AH!
 - Nossa, calma Dami! Me desculpa, mas é que você não acordava de jeito nenhum!
 - Hã?! Letícia?! O que você tá fazendo aqui!? O que eu tô fazendo aqui?!

  - Ok, ok, calma! Você ficou maluco e foi pra China dizendo que ia salvar sua família, e foi mesmo. Só que acharam você desmaiado, com febre e machucados pelo corpo! Daí te trouxeram de volta... O que aconteceu lá, hein?! Você quase me mata de susto!
 - Mas... Mas... meu tio, Mike aquela menina...
 - Que menina?!
 - Uma Trina Marvello, algo assim.
 - Sua febre deve ter sido tanta que te deu alucinações... Vem, levanta dai!

  - Poê uma roupa e vem na sala, você tem visitas!
 - Letícia, espera, não foi alucinação!
Ou foi? Eu sonhei tudo aquilo? Como assim? E meus pais, meu tio, Mike?!

  - Vem logo, Dami! - ela gritava pra tentar me apressar.
Coloquei a primeira roupa que consegui pegar e fui pra sala. Será mesmo que eu sonhei tudo aquilo?

  - Surpresa...
 - Mas oque...

  - Mãe, pai... Mike?! Tio Denis?! Mas... Vocês... Na China... Como assim?!
 - Calma filho... Lembra que eu e seu pai fomo para China procurar seu tio, então...
 - Nós o achamos. - meu pai continuou. - Estavam perdido no...
 - Templo do Paraíso? - perguntei

  - Como você sabe, moleque?!
 - Eu fui lá e... Eu sonhei, acho...
 - Sonhou nada, você foi lá pra China mas caiu feito uma jaca no chão da pousada! Tua febre 'tava em 42º graus! Depois que teus pais nos acharam, voltamos pra pousada pra descobrir que o pateta na minha frente ficou pirado e foi nos procurar, haha!

  - É verdade, Brinho! - "Brinho" era um apelido para "sobrinho"... Só o tio Denis me chamava assim. - Quando voltamos com você e te levamos pra cá, sua namorada quase teve um derrame! Dá onde você tirou essa ideia de procurar por nós?
 - Nem sei...

 Então foi tudo uma alucinação? Como eu consegui sonhar tudo aquilo?! Então nada era verdade?! A menina, a arma, o meu suicídio... Não pode ser, nem em um milhão de anos, é impossível...

 - ARGH! Eu tô muito cansado então vou voltar pra cama!
 - Dami, você só pode estar brincando!
 - Filho!
 - Brinho!
 - Moleque!
 - Damion Taketori, depois de tudo isso você vai pra cama?!
 - Aham! Boa noite para todos!









NOTA DO AUTOR : SIM, FOI TUDO UM SONHO MUAHAHAHAHA... bom, vai ficar tenso fazer novos caps todo dia então vamos tentar fazer pelo menos 3 por semana. Por exemplo, amanhã não vai ter! desculpas e obrigado por lerem!

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